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Economia

Produção de grãos em 2023 deve atingir recorde de 302 milhões de toneladas

Last updated: 2023/02/10 at 10:04 AM
Rede Povo Published 10 de fevereiro de 2023
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A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar o recorde de 302 milhões de toneladas, segundo estimativa do Levantamento Sistemático de Produção Agrícola de janeiro, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é 14,7% maior que a safra obtida em 2022 de 263,2 milhões de toneladas e 1,9% acima das 5,7 milhões de toneladas da estimativa de dezembro para a safra de 2023. A expectativa é de recorde nas produções de soja e milho. A soja, principal commodity do país, deve crescer 23,4% em relação a 2022, atingindo mais de 147,5 milhões de toneladas. Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE, avalia os fatores que influenciam a alta.

“Esse crescimento se deve, principalmente, ao aumento de 18% na produtividade e de 4,6% na área a ser colhida, mas o percentual maior que está realmente influenciando esse aumento da soja é a recuperação da produtividade da lavoura, que em 2022 foi muito afetada pela seca na região sul. Esse ano, ainda temos problemas climáticos no Sul, a estiagem, mas está mais restrito ao estado do Rio Grande do Sul”, explica.

Para a safra total de milho a estimativa é de 122,5 milhões de toneladas, alta de 11,2% em relação a 2022. “Do mesmo jeito que a seca afetou a soja, também afetou o milho primeira safra. Então a melhoria nas condições climáticas estão ajudando na recuperação da produção total de milho”, destaca Carlos Alfredo Guedes.

Outro destaque é o café. A produção aumentou 5,7% em relação a 2022. Considerando as duas espécies – arábica e canephora – a produção somou mais de 55 milhões de sacas de 60 quilos. Com isso, a estimativa para o café arábica é de um crescimento de 13,7%, apesar de 2023 ser um ano de bienalidade negativa.

“Em 2022, tivemos uma bienalidade positiva, mas as lavouras sofreram devido aos problemas climáticos. Por isso, tivemos um crescimento de 5,9%, bem abaixo do esperado. Porém, de 2022 pra cá, as condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras, principalmente a produção de café em Minas Gerais, praticamente 70% da nossa produção se concentra neste estado, por isso a gente está tendo essa inversão da bienalidade”, explica o gerente.

Por outro lado, os dados do levantamento destacam que é esperada uma queda anual de 3,6% na produção de arroz, para 10,3 milhões de toneladas. O produtor de arroz Marco Antônio Tavares explica que o resultado é reflexo principalmente da redução significativa de área e menor atratividade financeira do setor orizícola (cultura de arroz) em relação às culturas como soja e milho. “A falta de estímulo devido aos preços baixos praticamente não deram rentabilidade ao produtor. Os dados mostram que realmente teremos uma safra menor, com baixa oferta do cereal no mercado e queda nos estoques. A gente tem ainda uma expectativa de uma quebra maior na produção de arroz, em especial no Rio Grande do Sul, devido à falta de chuvas”, afirma Tavares.

O Instituto avalia que apesar da queda nas safras de arroz e feijão, a produção deve ser suficiente para abastecer o consumo interno. Ao todo, arroz, milho e soja, os três principais produtos da safra, representam 92,9% da estimativa de produção de grãos no ano e respondem por 87,5% da área a ser colhida

Mato Grosso lidera produção de grãos

O levantamento destaca ainda alta nas estimativas de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou alta nas cinco regiões em comparação com 2022, destaque para o Sul (38,6%), Centro-Oeste (8,65%) e Norte (11,1%). O Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 29,3%, seguido pelo Paraná com 14,9% e Rio Grande do Sul com 13%. Completam a lista: Goiás (9,2%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,8%). Somados, os seis estados representam 80,3% do total da produção do país.

Fonte: Brasil61

Rede Povo 10 de fevereiro de 2023
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