Popular entre mulheres, escleroterapia precisa ser feita com segurança
A popular “secagem de vasinhos”, ou escleroterapia, tornou-se um dos procedimentos estéticos mais procurados nos últimos anos, especialmente entre mulheres que buscam melhorar o aspecto das pernas. No entanto, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) emitiu um alerta preocupante: procedimentos realizados por profissionais não habilitados podem representar sérios riscos à saúde, incluindo complicações como trombose, embolia pulmonar, infecções e até gangrena.
A advertência foi divulgada no último ano, após a SBACV lançar uma campanha nacional de conscientização sobre os perigos da escleroterapia sem acompanhamento médico adequado.
Complicações sérias em ambientes não regulamentados
É necessário lembrar que muitos pacientes vêm se submetendo a tratamentos com promessas rápidas e preços baixos, frequentemente realizados em clínicas de estética sem estrutura adequada ou supervisão médica. Isso ressalta que a escleroterapia feita por profissionais não habilitados pode trazer sérios riscos, tanto estéticos quanto funcionais. Mesmo realizada em consultório, trata-se de uma intervenção que exige avaliação e acompanhamento profissional especializado.
Esse procedimento envolve a injeção de substâncias esclerosantes em microvasos e, caso seja mal administrado ou aplicado em veias inadequadas, pode provocar necrose de tecido, manchas permanentes e até infecção generalizada.
O papel do biomédico esteta na segurança do procedimento
Em meio à polêmica, a então recém-formada biomédica esteta Dra. Roberta Bazzi defendeu o papel do biomédico como profissional essencial para garantir a segurança do paciente, desde que atuando dentro dos limites legais e técnicos da profissão.
“É fundamental que o paciente entenda que estética também é saúde. O biomédico esteta, com formação específica e registro, tem capacitação para realizar a escleroterapia quando devidamente treinado e em ambientes regulamentados. Trabalhar em conjunto com médicos angiologistas fortalece a segurança e amplia o acesso ao tratamento com qualidade”, afirmou a Dra. Bazzi.
Ela também destacou a importância da avaliação prévia e da personalização do tratamento, lembrando que há diferentes tipos de vasos e técnicas, e que cada paciente deve ser analisado individualmente. “A escleroterapia não pode ser tratada como um procedimento genérico. É necessário estudar o histórico vascular, realizar exames e seguir rigorosamente os protocolos”, explicou.
Ozonioterapia: uma moda perigosa e não reconhecida
A campanha da SBACV também criticou a crescente adoção de ozonioterapia para o tratamento de varizes, promovida em redes sociais como uma alternativa “natural”. A sociedade médica reforçou que a técnica não possui respaldo científico, não está incluída nas diretrizes clínicas reconhecidas e pode causar mais danos do que benefícios.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) também já se manifestou contra a liberação da ozonioterapia para uso clínico, afirmando que não há comprovação de eficácia nem de segurança, especialmente quando aplicada fora de ambiente hospitalar.
A SBACV recomenda que os pacientes verifiquem sempre se o profissional que oferece a escleroterapia possui registro profissional e especialização reconhecida, como angiologia, cirurgia vascular ou biomedicina estética com habilitação específica.
Além disso, o procedimento deve ocorrer em clínicas autorizadas pela vigilância sanitária, que garantam estrutura de esterilização, uso de materiais descartáveis e monitoramento de intercorrências. Embora seja um procedimento estético, trata-se de um tratamento invasivo que envolve riscos reais. Por isso, o preço baixo nunca deve ser o fator decisivo na escolha; segurança e qualificação do profissional são indispensáveis.
O que pode acontecer em caso de erro
- Trombose venosa profunda
- Embolia pulmonar
- Necrose de pele
- Infecções locais e generalizadas
- Manchas escuras irreversíveis
- Reações alérgicas graves
Em casos extremos, o tratamento incorreto pode levar à amputação do membro afetado ou colocar a vida do paciente em risco.
Dra. Roberta Bazzi recomenda atenção redobrada na hora de escolher o local e o profissional para realizar a escleroterapia. Veja as orientações:
- Procure profissionais habilitados – angiologistas, cirurgiões vasculares ou biomédicos estetas com registro e formação específica.
- Exija avaliação prévia e exames – como o Doppler venoso.
- Desconfie de promessas milagrosas ou preços muito abaixo do mercado.
- Verifique se a clínica tem alvará da vigilância sanitária e segue normas de biossegurança.
- Informe-se sobre o tipo de produto usado e o histórico da técnica aplicada.
A popularização da escleroterapia como solução estética para vasinhos trouxe avanços, conforto e autoestima a milhares de brasileiros. Porém, como alerta a SBACV, é fundamental que o tratamento seja levado a sério, como um procedimento médico que exige preparo técnico, estrutura adequada e respeito ao paciente.
“Quando a estética é feita com conhecimento, ética e segurança, ela transforma vidas de forma positiva. O problema não está no procedimento, mas em como e por quem ele é realizado.”, reforça a biomédica Dra. Roberta Bazzi.
