Consumo consciente ainda enfrenta falta de informação e resistência
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou uma pesquisa inédita sobre a percepção da população em relação à economia circular, modelo que prioriza a reutilização, o reparo e a reciclagem de materiais. O estudo revela que, apesar de 72% da população ver de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, 43% afirmam evitar adquirir produtos reciclados, independentemente do preço.
Entre as principais razões para essa resistência, 34% dizem preferir produtos novos e 30% relatam dúvidas sobre a qualidade e a durabilidade dos itens reciclados. Para superar essas barreiras, a CNI defende a necessidade de uma transformação sistêmica que envolva toda a cadeia produtiva, além de ações de informação e conscientização da população.
A pesquisa também mostra que apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito de economia circular, e que 60% acreditam que a principal responsabilidade por evitar a contaminação ambiental causada por produtos é das prefeituras. Além disso, 53% dos entrevistados afirmam não realizar o descarte adequado justamente por não saberem como fazê-lo.
Marco regulatório é visto como peça-chave para o avanço da economia circular
A CNI defende a aprovação do Projeto de Lei (PL) 1.874/2022, que cria a Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Segundo a confederação, a proposta pode ampliar a competitividade da indústria brasileira, estimular investimentos e fortalecer práticas sustentáveis de produção e consumo.
O PL prevê instrumentos que ajudam a enfrentar obstáculos identificados pela própria pesquisa, como a falta de tecnologias e as altas taxas de juros. Além disso, a proposta incorpora ações de educação para o consumo sustentável e amplia a demanda por produtos circulares.
Atualmente, o PL 1.874/2022 aguarda análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. A aprovação da proposta é considerada fundamental para o avanço da economia circular no Brasil.
Consumo consciente ainda enfrenta desafios, mas há esperança
Apesar dos desafios, a pesquisa da CNI mostra que 58% dos entrevistados costumam consertar produtos antes de substituí-los, e que metade deles adota essa prática principalmente para economizar dinheiro. Além disso, a entidade defende a importância de uma comunicação efetiva e clara sobre os benefícios dos produtos reciclados.
A transformação sistêmica necessária para o avanço da economia circular depende da cooperação entre empresas, governos e consumidores. Com a aprovação do PL 1.874/2022 e a conscientização da população, há esperança de que o Brasil possa se tornar um líder na economia circular e reduzir seu impacto ambiental.
