Valorização de salários e estabilidade
A pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira: futuro profissional”, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelou que os profissionais brasileiros valorizam mais salários altos e estabilidade em carreira do que trabalho remoto e jornada reduzida. De acordo com o levantamento, 28,7% dos trabalhadores consideram salário mais alto como a característica mais importante para a ocupação que desejam exercer nos próximos cinco anos, seguido de estabilidade no emprego (22,4%) e perspectiva de crescimento profissional (20,1%).
Esses resultados sugerem que os trabalhadores brasileiros ainda priorizam a segurança e a estabilidade em suas carreiras, apesar do crescimento da discussão sobre benefícios não pecuniários, como trabalho remoto e flexibilidade de horário. A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, afirma que os elementos mais tradicionais continuam sendo valorizados e orientando o trabalhador na consolidação de seus planos de carreira a médio e longo prazo.
Principais obstáculos
A pesquisa também identificou as principais barreiras percebidas pelos brasileiros para alcançar a profissão desejada. Entre elas, destacam-se a necessidade de cuidar de familiares (16,1%), falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%) e falta de informação sobre vagas disponíveis (11,9%). Esses fatores contribuem para aumentar a insegurança em relação ao futuro profissional, conforme afirma Claudia Perdigão.
Futuro profissional incerto
De acordo com o levantamento, 43% dos brasileiros não sabem dizer em qual profissão estarão trabalhando daqui a cinco anos. A insegurança é ainda maior entre os trabalhadores mais velhos, que enfrentam rápidas transformações tecnológicas e incertezas sobre como as profissões vão responder a essas mudanças. A especialista da CNI afirma que essas mudanças tecnológicas, especialmente o avanço da inteligência artificial, ajudam a explicar esse cenário.
Emprego formal continua sendo preferência
A pesquisa aponta que a preferência por empregos com carteira assinada continua sendo forte entre os brasileiros. Mais de um terço dos trabalhadores ocupados que procuraram emprego no mês anterior à pesquisa consideram o emprego formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a opção mais atrativa. A brasiliense Gabriela Vale, de 29 anos, representa esse perfil identificado pela pesquisa e decidiu trocar o trabalho remoto por uma vaga presencial com carteira assinada.
Habilidades digitais ainda são desafio
Em relação à maturidade digital da população, a pesquisa aponta que 54% dos brasileiros apresentam domínio alto ou médio-alto de habilidades digitais. No entanto, esse percentual cai para 44,5% quando consideradas competências mais complexas, como o uso de inteligência artificial, planilhas eletrônicas e configurações de computadores, aplicativos e programas. Os resultados revelam um cenário marcado por contrastes, conforme afirma a economista.
