Estudo brasileiro destaca importância da pecuária sustentável para a segurança alimentar e a redução das emissões de gases de efeito estufa
A pecuária de corte no Brasil pode reduzir significativamente suas emissões de gases de efeito estufa até 2050 sem comprometer os níveis de produção. É o que mostra um estudo apresentado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.
O levantamento, desenvolvido pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), projeta redução de até 60% nas emissões absolutas do setor, ao mesmo tempo em que mantém a oferta de carne bovina em patamares elevados. O estudo também destaca a importância da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) como um dos diferenciais da produção brasileira.
Durante a apresentação do estudo, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller, enfatizou que a pecuária brasileira tem condições de avançar de forma consistente na agenda climática sem abrir mão da produtividade. “O papel da ApexBrasil, em forte parceria com a nossa representação diplomática em Roma, é trazer o debate para a realidade dos números. Provamos que o Brasil é um fornecedor confiável, essencial para o desenvolvimento econômico e para a segurança alimentar mundial”, afirmou.
O estudo foi apresentado em um contexto de redução dos rebanhos bovinos em importantes regiões produtoras. Segundo os dados apresentados pela ApexBrasil, os três blocos que concentram cerca de 70% do rebanho mundial registram retração: o Mercosul opera no menor nível dos últimos seis anos, a América do Norte possui o menor rebanho em sete décadas e a União Europeia registra o menor volume em trinta anos.
No entanto, o Brasil encerrou 2024 com o maior rebanho comercial do mundo, somando 192,6 milhões de cabeças. O levantamento destaca ainda que somente 30,2% do território nacional é destinado à agropecuária, enquanto 66,3% permanece coberto por vegetação nativa. Desse total preservado, 33,2% está protegido por exigências legais dentro de propriedades rurais privadas.
Os dados também mostram que a expansão da produção ocorreu sem aumento proporcional da área utilizada. Entre 2004 e 2024, a produção brasileira de carne bovina cresceu mais de 240%, ao passo que a área de pastagens foi reduzida em 11%, passando de 181 milhões para 160 milhões de hectares.
Essa tendência resultou no chamado “efeito poupa-terra”. De acordo com o estudo, 397 milhões de hectares deixaram de ser incorporados à atividade graças aos ganhos de produtividade obtidos desde 1990.
A apresentação dos resultados durante a reunião do Subcomitê de Pecuária do COAG fortalece a credibilidade das informações utilizadas pelo setor exportador em mercados internacionais. Para a ABIEC, a importância do embasamento científico para a imagem da carne bovina brasileira no exterior é fundamental para a exportação e para trazer os dados duros, com ciência bem fundamentada, para mostrar para o mundo por que a nossa carne é sustentável e por que que o nosso produto é confiável e merece estar em todas as prateleiras dos supermercados do mundo.
