Indústria brasileira investe em renovação do parque fabril
A indústria brasileira continua a investir na renovação do parque fabril, mas a incorporação de tecnologias mais desenvolvidas ainda avança lentamente. De acordo com a Sondagem Especial nº 105, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 74% das empresas industriais compraram máquinas e equipamentos novos em 2025. Embora o percentual seja ligeiramente inferior ao registrado em 2024 (77%), a preferência pela aquisição de bens de capital novos permanece predominante.
As empresas que adquiriram máquinas e equipamentos novos têm como principal objetivo ampliar a mecanização da produção, com 72% das empresas citando essa como a principal razão. No entanto, apenas 9% investiram em robotização e 5% direcionaram recursos para automatizar a produção por meio de máquinas conectadas em rede, capazes de transmitir e processar dados de forma autônoma.
Rafael Sales, especialista em Políticas e Indústria da CNI, afirma que os investimentos em equipamentos conectados à internet e com processamento em nuvem ainda são limitados. “A maior parte dos investimentos continua sendo na mecanização da produção. Mas isso não quer dizer que essas empresas não estejam buscando ganhos de produtividade. Mesmo quando uma empresa está buscando uma máquina nova para mecanizar sua produção, ela pode estar tendo ganhos de produtividade [ao incorporar máquinas e equipamentos mais eficientes ao processo produtivo]”, explica.
Incertezas econômicas seguem como principal barreira
A sondagem mostra que as incertezas do ambiente macroeconômico continuam sendo o principal fator que trava os investimentos da indústria. Entre as empresas que compraram máquinas e equipamentos novos, 61% apontaram as imprevisibilidades econômicas como o maior obstáculo para investir. Na sequência aparecem: queda das receitas das empresas (47%), entraves tributários (47%), incertezas relativas a cada setor (46%) e falta de mão de obra (43%).
Entre as empresas que adquiriram maquinário usado, o cenário é semelhante. As incertezas econômicas lideram a lista de obstáculos, citadas por 66% dos entrevistados. Em seguida aparecem: queda das receitas das empresas (55%), entraves tributários (53%), incertezas setoriais (53%) e aumento dos custos dos insumos (52%).
Grandes empresas lideram modernização tecnológica
O levantamento revela diferenças importantes entre empresas de diferentes portes. Em 2025, 78% das grandes indústrias investiram em máquinas e equipamentos novos, percentual superior ao observado entre as médias (72%) e pequenas empresas (66%). As empresas de grande porte também estão mais avançadas na adoção de tecnologias da Indústria 4.0. Entre as que realizaram investimentos, 7% tinham como objetivo automatizar o processo produtivo. Nas médias indústrias, esse percentual foi de 4%; nas pequenas, apenas 2%.
Para Sales, os resultados mostram que as grandes empresas conseguem acessar e incorporar tecnologias mais avançadas com maior rapidez, enquanto as pequenas enfrentam mais dificuldades. “Fica o debate importante para a formulação de políticas públicas de como fazer com que as pequenas empresas também consigam ter acesso e reduzir esse gap tecnológico que existe entre o Brasil e os países que estão na fronteira da tecnologia industrial”, aponta.
