Regulamentação de bioinsumos: urgência apontada pela CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou a necessidade de regulamentar o Marco Legal dos Bioinsumos, enviando uma carta à Casa Civil da Presidência da República. Na mensagem, a entidade pede celeridade na publicação do decreto que dará forma à Lei nº 15.070/2024, destacando que a falta de regras claras gera incertezas que dificultam a produção, comercialização e uso de produtos biológicos.
Segundo o documento, a definição de critérios claros, proporcionais e adequados às diferentes categorias de bioinsumos, que serão estabelecidos pelo decreto, “contribuirá para reduzir incertezas, estimular investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação e ampliar a oferta de produtos biológicos no mercado”. O gerente de Recursos Naturais da CNI, Mario Cardoso, enfatizou que a regulamentação é urgente para garantir segurança jurídica e previsibilidade à cadeia produtiva.
“Sem regras claras, empresas enfrentam barreiras para investir em pesquisa, inovação e escalonamento industrial. A indústria brasileira precisa dessa base legal para acelerar a produção de soluções sustentáveis, reduzir a dependência de insumos importados e ampliar a competitividade internacional”, afirmou Cardoso.
Mercado de bioinsumos cresce rapidamente
Cardoso também destacou a importância de acelerar a regulamentação diante do crescimento do mercado global de bioinsumos. “O Brasil não pode perder espaço em um setor estratégico que une agricultura, indústria e biotecnologias. Em outras palavras, regulamentar rapidamente significa garantir empregos, inovação e protagonismo mundial”, disse.
De acordo com a CNI, a regulamentação será fundamental para estabelecer condições adequadas de coexistência entre a produção industrial e a produção para uso próprio (on farm), além de favorecer a escalabilidade das soluções desenvolvidas no país. “A maior previsibilidade regulatória poderá favorecer novos investimentos, o desenvolvimento de tecnologias e o registro de produtos inovadores, contribuindo para o fortalecimento da indústria brasileira, para a competitividade do setor agropecuário e para uma produção mais eficiente e sustentável”, destacou a carta enviada à Casa Civil.
Potencial para a indústria brasileira
O Marco Legal dos Bioinsumos estabeleceu regras específicas para o setor e diferenciou sua regulamentação daquela aplicável aos defensivos agrícolas. Na agricultura, produtos biológicos – bactérias, leveduras e fungos – podem ser usados no controle de pragas, na fertilização do solo e no tratamento de doenças das plantas, reduzindo a dependência de defensivos químicos e agregando valor aos produtos brasileiros destinados à exportação.
Para a CNI, os benefícios da regulamentação vão além do setor agropecuário, alcançando segmentos industriais como os de produtos químicos e farmacêuticos. “Microrganismos e derivados biológicos são usados para desenvolver medicamentos, cosméticos e materiais biodegradáveis. Além disso, os bioinsumos contribuem para a produção de biocombustíveis, ajudando a diversificar a matriz energética e diminuir as emissões de carbono. Para a indústria nacional como um todo, adotar bioinsumos significa reduzir custos, inovar em processos e conquistar mercados internacionais cada vez mais exigentes em sustentabilidade”, afirmou Mario Cardoso.
Dados da CropLife Brasil mostram que o mercado de insumos biológicos movimentou R$ 1,3 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026. No mesmo período, a área tratada com esses produtos chegou a 31 milhões de hectares no país, alta de 15% em relação aos quatro primeiros meses de 2025.
Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o principal desafio é transformar o marco legal em um sistema regulatório funcional, capaz de favorecer a escalabilidade das soluções e ampliar a competitividade internacional do Brasil. “É por isso que a CNI também se coloca à disposição para continuar contribuindo tecnicamente com os atores envolvidos, apoiando a construção de um marco regulatório que assegure segurança jurídica, incentive a inovação e possibilite o pleno aproveitamento do potencial dos bioinsumos para o desenvolvimento da indústria, da agropecuária e da bioeconomia brasileira”, concluiu.
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