Introdução
Em 9 de dezembro de 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu oficialmente as Matrizes Tradicionais do Forró como Patrimônio Cultural do Brasil. Este marco histórico celebra não apenas a música e a dança, mas também o conjunto de saberes, práticas e comunidades que mantêm viva a cultura forrozeira em todo o território nacional.
Do Nordeste para diferentes regiões do país
A origem do forró remonta à cultura sertaneja do Nordeste, onde ritmos como baião, xote, xaxado e arrasta-pé foram criados. A partir da primeira metade do século XX, a migração de nordestinos e a atuação de artistas como Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro ampliaram a presença desses estilos em outras regiões do Brasil. Gravações, apresentações e a cobertura radiodifusa foram cruciais para que o forró atravessasse fronteiras estaduais, mantendo suas raízes enquanto se adaptava a novos contextos culturais.
Construção coletiva
O pedido de registro foi formulado em 2011 pela Associação Cultural Balaio Nordeste, após um processo de articulação entre músicos, grupos culturais, associações e fóruns ligados ao forró. A mobilização contou com pesquisas, documentação audiovisual, encontros, seminários e escutas em diversas localidades, permitindo que a comunidade forrozeira definisse o escopo do registro. A proposta enfatizou que o reconhecimento deveria abranger não apenas músicas específicas, mas todo o conjunto de práticas que perpetuam as matrizes tradicionais.
Patrimônio Cultural do Brasil
O registro, aprovado unânime pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, foi inscrito no Livro de Registro das Formas de Expressão. Ele reconhece o forró como uma expressão cultural que integra ritmos, danças, instrumentos (sanfona, zabumba, triângulo, pandeiro, rebeca, pífano, fole de oito baixos), indumentárias, espaços de celebração e saberes artesanais. A definição de “matriz” destaca a natureza dinâmica da manifestação, que evolui e se reinventa enquanto mantém referências sólidas às suas origens.
Conclusão
O reconhecimento das Matrizes Tradicionais do Forró pelo Iphan representa mais do que um título simbólico. Ele valida a riqueza cultural que pulsa em salões comunitários, festas juninas, festivais e encontros de músicos, onde tocar, cantar e dançar continuam a ser formas de convivência, aprendizado e construção de vínculos intergeracionais. Ao consagrar o forró como Patrimônio Cultural do Brasil, o Estado reforça a importância de preservar e promover a diversidade cultural que enriquece o país.
Com informações do Ministério da Cultura.
