O encontro “Pense nas Pequenas Primeiro”, organizado pela CNI, trouxe à tona como a reforma tributária exigirá que micro e pequenas empresas repensem a forma de calcular impostos, administrar créditos e escolher seu regime tributário.
Na quarta-feira (23), especialistas, empresários e representantes do setor público debateram o acesso ao crédito, a produtividade, a competitividade e a redução do Custo Brasil, destacando que a transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) coloca os pequenos negócios diante de uma decisão crucial: manter o Simples Nacional ou migrar para o regime híbrido.
Nova forma de apuração
Uma das propostas apresentadas foi a apuração assistida, que, segundo a auditora Clarissa Mendes, da Curitiba, integrará os dados dos documentos fiscais aos sistemas de apuração. O objetivo é reduzir o trabalho manual das empresas e automatizar parte do processo de declaração.
Para o Simples Nacional, a apuração assistida significa que os valores dos documentos fiscais serão importados automaticamente para o PGDAS. Além disso, será disponibilizada uma calculadora que fará o cálculo do IBS e da CBS, facilitando a adaptação às variações de alíquota durante o período de transição.
Impacto sobre o caixa
O consultor e ex‑auditor fiscal da Fazenda de São Paulo, Ângelo de Ângelis, alertou para os “impostos invisíveis” que incidem na compra de insumos. Ele apontou que a cumulatividade tributária pode comprometer quase 40% do capital de giro de empresas do Simples Nacional, segundo simulações realizadas com dados reais.
Efeitos a médio prazo
O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mário Sérgio Telles, ressaltou que, embora as projeções possam parecer abstratas agora, os efeitos da reforma no crescimento econômico só serão sentidos a médio e longo prazo. “Daqui cinco ou seis anos, poderemos discutir de forma mais palpável o impacto econômico que essa reforma terá”, afirmou.
Pequenas empresas nas cadeias produtivas
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, fortalecer as micro e médias empresas é essencial para ampliar a competitividade das cadeias produtivas brasileiras. Ele enfatizou que a estratégia deve integrar negócios de diferentes portes aos mercados nacional e internacional, evitando que o país fique apenas a reboque das cadeias globais.
Crédito ainda é um desafio
O acesso ao financiamento foi tema central do debate. Carlos Bork, da Jornada Nacional de Inovação da Indústria, defendeu uma maior integração entre o Sebrae e as federações estaduais das indústrias para ampliar o atendimento às empresas. Mayra Madri, da Agência Brasileira de Gestão de Fundos Garantidores e Garantias, destacou o Seguro de Crédito à Exportação como mecanismo de redução de risco para operações externas.
VEJA MAIS:
- Indústria reduz intenção de investimento pelo quarto mês seguido, aponta CNI
- Brasil precisa mais que dobrar investimentos em infraestrutura, aponta CNI
Produtividade e acesso a mercados
O economista e professor da Universidade de Brasília, José Ronaldo de Souza, afirmou que o país precisará elevar a produtividade para sustentar taxas de crescimento econômico nas próximas décadas. Ele destacou que, para crescer 2%, a produtividade deve subir em média 1% ao ano.
O gerente de Competitividade do Sebrae Nacional ressaltou que 92% das empresas industriais são pequenas e que a competitividade depende da integração entre negócios de diferentes portes, enfatizando que o fluxo produtivo é mais importante que a tecnologia isolada.
Custo Brasil
O encerramento do evento dedicou-se ao Custo Brasil. A CNI aponta que os entraves como infraestrutura e outros fatores reduzem a competitividade em até R$ 1,7 trilhão por ano, equivalente
