Resultados da pesquisa Quaest apontam polarização regional no 2º turno das eleições presidenciais de 2026
A pesquisa realizada pela Quaest entre 24 e 27 de setembro de 2026, que entrevistou 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em todo o Brasil, mostra que a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) permanece equilibrada em nível nacional, com ambos os candidatos alcançando 42% das intenções de voto no cenário de 2º turno. No entanto, a análise regional evidencia disparidades marcantes, com Flávio liderando em três regiões e Lula dominando em outras.
No Sul, Flávio Bolsonaro conquista 54% das intenções, superando Lula, que marca apenas 29%. O mesmo padrão aparece no Sudeste, onde o candidato do PL registra 43% contra 37% de Lula, e no Centro-Oeste, onde Flávio chega a 57% enquanto Lula fica em 29%. Essas diferenças refletem a forte presença do PL em estados tradicionalmente conservadores e a resistência do PT em regiões com maior tradição de apoio ao governo Lula.
Por outro lado, Lula mantém a liderança em áreas onde a agenda de desenvolvimento social tem maior adesão. No Norte, o petista alcança 50% das intenções, e no Nordeste, ele atinge 58%, superando Flávio em 20 pontos percentuais. Esse desempenho destaca a consolidação do PT em regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica e maior dependência de políticas públicas de inclusão.
A pesquisa também comparou Lula com outros candidatos que poderiam disputar o 2º turno. Em cenários alternativos, Lula mantém vantagem em quase todas as regiões quando enfrenta Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Por exemplo, contra Ronaldo Caiado, Lula lidera no Nordeste (61% a 29%) e no Norte (51% a 38%), mas cai em regiões como Centro-Oeste (24% a 60%) e Sul (31% a 47%). Esses números ilustram a fragilidade da base de apoio de Lula em áreas de maior influência do PSD.
Em relação a Romeu Zema, Lula detém vantagem no Nordeste (63% a 20%) e no Norte (53% a 34%), mas perde no Sul (32% a 38%) e no Centro-Oeste (34% a 36%). Já contra Renan Santos, o petista domina no Nordeste (59% a 24%) e no Norte (52% a 36%), mas fica atrás no Sudeste (38% a 41%) e no Sul (29% a 42%). Quanto a Augusto Cury, Lula vence no Norte (52% a 36%) e no Nordeste (59% a 24%), mas perde no Sul (23% a 40%) e no Centro-Oeste (31% a 34%).
Esses resultados sugerem que o cenário de 2º turno pode ser decisivo em regiões onde as diferenças ideológicas e socioeconômicas são mais acentuadas. Enquanto Flávio Bolsonaro consolidou apoio em estados com forte tradição de voto conservador, Lula mantém a preferência em áreas onde políticas sociais têm maior impacto. A margem de erro de 2 pontos percentuais e o nível de confiança de 95% conferem credibilidade à pesquisa, mas também indicam que pequenas variações podem alterar o equilíbrio regional.
Em suma, a pesquisa Quaest revela que o 2º turno das eleições presidenciais de 2026 será marcado por um equilíbrio nacional, mas por polarizações regionais significativas. O desafio para ambos os candidatos será mobilizar suas bases em regiões onde ainda não são líderes, ao mesmo tempo em que consolidam o apoio nas áreas já dominadas. O resultado final dependerá de como cada campanha aproveitará as diferenças socioeconômicas e culturais que permeiam o eleitorado brasileiro.
