Em 2026, os ímãs de terras raras — NdFeB e SmCo — continuam sendo os mais potentes disponíveis comercialmente, desempenhando papel crucial em motores de veículos elétricos, geradores eólicos, robótica industrial e sistemas de defesa. A China domina mais de 90% da produção global, consolidando uma cadeia de suprimentos que, embora eficiente, suscita preocupações de segurança e dependência.
Recentemente, a China implementou controles de exportação rigorosos sobre ímãs de alto desempenho e terras raras pesadas, provocando restrições de fornecimento, volatilidade de preços e alarmes de segurança nacional. Em resposta, governos e fabricantes de equipamentos originais (OEMs) ao redor do mundo têm buscado rapidamente estabelecer cadeias de suprimentos resilientes fora da China.
Investimento federal de US$ 7 bilhões impulsiona produção nos EUA
O governo dos Estados Unidos destinou US$ 7 bilhões para acelerar a produção de ímãs de terras raras, transformando o país em um dos principais produtores globais. Empresas como MP Materials, USA Rare Earth e Energy Fuels ampliaram ativos de mineração e processamento na América do Norte, Brasil e Austrália, além de adquirir estrategicamente empresas britânicas e alemãs, como Less Common Metals e Vacuumschmelze.
Além do investimento em produção, o governo implementou o Projeto Vault, que garante estocagem de materiais críticos, e firmou acordos de preço mínimo com os principais fornecedores de óxidos, assegurando a viabilidade comercial a longo prazo das empresas do setor.
Em julho de 2026, os EUA introduziram restrições à exportação de ímãs descartados, incentivando a circularidade e oferecendo oportunidades para startups de reciclagem de terras raras que podem aproveitar o crescente volume de sucata gerada pela nova produção doméstica.
Segundo a IDTechEx, a participação chinesa na capacidade de produção global deve cair para 75% até 2037, à medida que outras regiões ampliam sua produção. Entretanto, a previsão também alerta para uma sobrecapacidade global, pois o crescimento da demanda pode ficar aquém da expansão fragmentada da cadeia de suprimentos.
A expansão vertical nos EUA, que cobre mineração, processamento e fabricação de ímãs, foi motivada pela meta de eliminar ímãs de origem chinesa das cadeias de suprimentos militares até janeiro de 2027. A IDTechEx projeta que a produção americana de ímãs aumentará mais de 20 vezes até 2037, posicionando os EUA como o segundo maior produtor mundial até 2030.
O mercado global de ímãs de terras raras deverá crescer 1,5 vezes nos próximos dez anos, impulsionado por robôs humanoides, energia eólica e data centers de IA. Contudo, a competição entre China e seus rivais geopolíticos deve intensificar, resultando em um mercado de duas camadas e exigindo estratégias de diversificação contínua.
Em suma, a diversificação da produção de ímãs de terras raras fora da China, apoiada por investimentos governamentais e iniciativas de circularidade, não apenas fortalece a segurança nacional dos EUA, mas também posiciona o país como líder em inovação e sustentabilidade no setor de materiais críticos.
