Introdução
No último encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, na Suíça, o Brasil apresentou suas iniciativas de economia circular, apontando-as como motor de desenvolvimento econômico e competitividade internacional. A proposta, liderada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela Missão Permanente do Brasil junto à OMC, reuniu diplomatas, empresas e organizações globais para discutir o futuro do comércio sob uma perspectiva sustentável.
A ApexBrasil, em parceria com a OMC, organizou um painel exclusivamente feminino sob o título “Serviços Circulares para uma Economia Circular Inclusiva”. Entre os participantes, destacaram-se representantes da Alpargatas, da So+ma, do Instituto Brasileiro de Economia Circular (IBEC Circular) e da PCX Solutions, que trouxeram experiências práticas e visões estratégicas sobre a integração de serviços, tecnologia, financiamento e acesso a novos mercados.
Desenvolvimento
Mariele Christ, gerente de Indústria e Serviços da ApexBrasil, ressaltou a diversidade de perspectivas apresentadas no painel. “Tivemos uma ótima perspectiva com as nossas painelistas, que foram convidadas para compor o painel organizado pela ApexBrasil, completamente feminino, que foi composto por diferentes perspectivas. Uma convidada internacional que trouxe uma perspectiva internacional sobre a questão de serviços na economia circular. Também trouxemos uma convidada do setor privado, a Alpargatas, uma grande empresa brasileira reconhecida internacionalmente”, afirmou.
Durante a sessão, foram discutidos casos concretos de transformação de resíduos em novos produtos. Um exemplo citado foi a reutilização de chinelos usados, que, por meio de plataformas de rastreamento, retornam à cadeia produtiva para a criação de novos itens. A Alpargatas apresentou mecanismos de financiamento que facilitam a recuperação de resíduos, enquanto a So+ma destacou a importância de soluções digitais para monitorar o ciclo de vida dos materiais.
O debate evidenciou que a economia circular vai além da simples redução de desperdício. Ela abrange competitividade, inovação, comércio, resiliência, geração de empregos e inclusão. “A economia circular tem potencial para aumentar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional”, acrescentou Mariele Christ, apontando que a adoção de práticas circulares pode posicionar o Brasil como referência global.
A presidente do IBEC Circular, Beatriz Luz, defendeu que o tema seja tratado como uma estratégia econômica. “É um momento para a gente mudar a perspectiva de economia circular como uma agenda ambiental social para uma agenda de segurança econômica, de desenvolvimento e posicionamento do Brasil num contexto global”, declarou.
Discussão
Os debatedores enfatizaram que a transição para uma economia circular requer mais do que reciclar materiais; envolve a criação de mecanismos que permitam aos recursos circularem continuamente e gerar valor. Vanessa Erogbogbo, diretora da Divisão de Comércio Sustentável e Inclusão do International Trade Centre (ITC), destacou a necessidade de conectar empresas a consumidores, recicladores e municípios por meio de logística reversa, gestão de resíduos, ferramentas digitais, dados, capacitação e financiamento.
Um caso de sucesso apresentado foi o programa de logística reversa da Havaianas, que, iniciado em 2020, recolhe chinelos usados em mais de 500 lojas. Até o momento, o programa já coletou quase um milhão de pares, equivalentes a pouco mais de 200 toneladas de borracha, que pode ser transformada em pisos, móveis e acessórios.
A representante da PCX Solutions, Stefanie Beitien, alertou para a escassez de financiamento na economia circular, especialmente no Sul Global. Ela apontou os créditos de plástico como um dos instrumentos disponíveis para apoiar a transição, incentivando a recuperação de recursos e a inovação em processos de produção.
Conclusão
A participação brasileira no fórum da OMC reforça a importância de integrar sustentabilidade e competitividade nas estratégias de comércio internacional. Ao destacar exemplos práticos e apontar desafios, como a necessidade de financiamento e a criação de cadeias de valor circulares, o Brasil demonstra que a economia circular pode ser um pilar para o crescimento econômico, a geração de empregos e a inclusão social, consolidando o país como protagonista em um cenário global cada vez mais voltado para a sustentabilidade.
