Na última jornada eleitoral, realizada no domingo (4), o Partido Liberal (PL) emergiu como a força dominante na Câmara dos Deputados, assegurando 121 assentos, um acréscimo de 24 em relação a 2022. A legenda também projeta comandar a maior bancada no Senado, com 19 senadores eleitos nesta eleição, totalizando 28 integrantes quando somados aos que já ocupam mandato.
PL também deve liderar bancada no Senado
Com 19 senadores, o PL representará 35,2% das 54 cadeiras em disputa, posicionando-se à frente de qualquer outra legenda no Congresso. A eleição contou com cinco “dobradinhas”, onde dois senadores foram eleitos em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e no Distrito Federal. Mesmo com eventuais mudanças de partido ou nomeações ministeriais antes da posse em fevereiro, a projeção indica que o PL permanecerá a maior bancada, superando o recorde anterior do MDB, que iniciou 1999 com 27 senadores.
Dois senadores que permanecerão em mandato até 2031 foram eleitos para cargos estaduais e deixarão as cadeiras para seus suplentes: Cleitinho (Republicanos-MG) será substituído por Alex Diniz (PL) e Sérgio Moro (PL-PR) por Luís Felipe Cunha (União). Além disso, Romário (RJ) permanece sem partido.
Avanço da direita no Congresso
Segundo o cientista político André César, a eleição reflete o desempenho sólido da direita em todos os níveis de governo. Ele observa que a predominância de partidos de centro e direita poderá impulsionar pautas como privatizações, reformas fiscais e flexibilização de regras ambientais. A agenda conservadora, segundo Eduardo Grin, pode ganhar força, especialmente em áreas de segurança pública, com propostas que remontam ao bolsonarismo, e em políticas sociais, que podem ser redirecionadas para um modelo mais empreendedor.
Na esfera de segurança, a possibilidade de ampliar o porte de armas e reduzir a maioridade penal se destaca. Em políticas sociais, há previsão de revisão do Bolsa Família, alinhando-o a uma visão de estímulo ao empreendedorismo.
Cenários para o próximo governo
Com Lula obtendo 45,16% dos votos válidos no primeiro turno e Flávio Bolsonaro liderando com 47,03%, André César antecipa que o segundo turno pode consolidar a vitória de Bolsonaro. Nesse cenário, a maioria de partidos de direita no Congresso teria maior margem para negociar com o futuro presidente, ampliando sua influência.
Em caso de reeleição de Lula, César prevê dificuldades de governabilidade, pois a força do Congresso, agora mais robusto, pode pressionar o Executivo com emendas e outras ferramentas legislativas, limitando a autonomia presidencial.
Relação entre Congresso e STF
André César alerta que o fortalecimento do Senado abre possibilidades inéditas de controle sobre ministros do STF, inclusive com potenciais processos de impeachment. Eduardo Grin, no entanto, acredita que a direita no Senado pode não avançar em impeachment, mas sim buscar medidas legislativas que limitem o alcance de decisões monocráticas do STF, especialmente após a condenação de ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ambos os especialistas concordam que o Congresso terá um papel mais conflituoso com a Corte, buscando equilibrar o poder institucional.
| Bancadas eleitas | 2026 | 2022 |
|---|---|---|
| PL | 121 | 97 |
| PT/PCdoB/PV | 88 | 82 |
| União/PP | 87 | 105 |
| PSD | 43 | 42 |
| Republicanos | 41 | 40 |
| MDB | 36 | 41 |
| Pode | 27 | 20 |
| PSB |
