Introdução
No primeiro turno das eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro (PL) liderou com 47,03 % dos votos válidos, equivalente a 56,1 milhões de votos, enquanto Lula (PT) ficou em 45,16 % (53,8 milhões). O segundo turno está marcado para 25 de outubro, quando os dois candidatos vão disputar a presidência do Brasil.
Flávio Bolsonaro
Desde o fim do primeiro turno, Flávio tem consolidado uma série de apoios que podem fortalecer sua campanha. Romeu Zema, do Novo, foi um dos primeiros a declarar “voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro”. Ronaldo Caiado, do PSD, também se juntou à causa em evento em Goiânia, prometendo “transformar o Brasil e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.
Nos últimos dias, a federação formada por União Brasil e Progressistas, que se manteve neutra no primeiro turno, passou a apoiar formalmente o candidato. Michel Temer, ex-presidente, associou o resultado das urnas a um “desejo de mudança, atenção e respeito”.
O apoio mais decisivo veio do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se envolveu na articulação política de Flávio, abrindo diálogo com o próprio partido e com Podemos e MDB. Dois compromissos já estão marcados: um almoço com prefeitos da região metropolitana de São Paulo no domingo 11 e um grande evento em São José dos Campos, seguido de motocarreata, na segunda 12, seguindo o modelo de atos simbólicos da campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Tarcísio também defendeu Flávio publicamente após críticas à sua fala sobre mudar a Constituição, argumentando que alterações constitucionais podem ser necessárias para reformas fiscais, do Judiciário e política.
Flávio afirmou que, se eleito, pretende usar o capital político do início do mandato para tentar acabar com a reeleição. Ele detalhou propostas de mudança na Constituição que incluem a redução da maioridade penal e medidas contra o STF. Aliados do senador alertam internamente sobre o risco desse tipo de discurso e de um clima de “já ganhou” tão próximo da eleição. Flávio confirmou presença nos debates do segundo turno, após Lula sinalizar que também participaria, com o primeiro confronto remarcado pela Band para 18 de outubro.
Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que ficaram em terceiro e quarto colocados, mantiveram a neutralidade, sem declarar apoio a nenhum dos dois concorrentes. Assim, Lula permanece, até agora, sem apoio formal de candidatos derrotados, cenário contrário ao de 2022.
Lula
Do lado petista, Edinho Silva, coordenador político da campanha, defende que a disputa precisa se tornar um confronto direto de projetos. Ele descreve Flávio como “incerteza, insegurança, alguém que tem mais ligações com a milícia do que com o povo brasileiro”. A campanha do presidente busca ampliar críticas à trajetória de Flávio em temas como segurança pública, milícias, pandemia, desmatamento, fome, relações internacionais e patrimônio.
A estratégia digital foi redesenhada na quarta-feira (7), com reuniões entre a coordenação e deputados de bom desempenho nas urnas e forte presença nas redes sociais, para impulsionar o alcance de Lula. Há consenso de que a comunicação digital precisa melhorar para atrair juventude, mulheres e reverter a queda de votos. Apesar de resistência inicial, Lula já deu início ao plano, publicando vídeos em formato de ‘selfie’ e criando um canal de apoiadores chamado “Exército do Lula”.
No conteúdo das peças publicitárias, Lula lançou um vídeo na terça (6) questionando como Flávio votaria sobre o fim da escala de trabalho 6×1, e outro associando a promessa de “tesouraço” nas contas públicas do senador a cortes em programas sociais como Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos e merenda escolar. O presidente também defende a PEC da Segurança e resumiu seu lema de campanha como “para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão”, convocando apoiadores a irem às ruas e a elevar o tom de críticas ao STF, visando capturar parte do descontentamento popular com o Judiciário.
Pesquisas
As campanhas contratam pesquisas próprias, mas o resultado das estratégias será posto à prova nesta quinta-feira (8). O Datafolha divulga, no fim do dia, o primeiro levantamento de intenção de voto para o segundo turno, baseado em 2.520 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais. Na última pesquisa antes do primeiro turno, divulgada no último sábado (3), o instituto projetava Lula com 45 % dos votos válidos contra 42 % de Flávio — subestimando o desempenho do senador, que terminou a votação de domingo na frente, com 47,03 % a 45,16 %.
