O marco histórico da eleição
No último domingo (4), os brasileiros votaram em 12 mulheres para compor o Senado Federal, totalizando 54 vagas em disputa. Esse resultado representa a maior presença feminina em um único pleito desde a redemocratização do país.
Impacto na bancada e na Câmara
Com a nova composição, a bancada feminina no Senado passará de 15 para 18 integrantes em 2027, considerando também os suplentes em exercício. Isso corresponde a 22,2 % das 81 cadeiras da Casa. Na Câmara dos Deputados, o número de parlamentares mulheres crescerá de 90 para 109 a partir de 1º de fevereiro de 2027, um aumento de 21,1 % em relação à legislatura atual.
Por que a representatividade importa
Para a socióloga Débora Messenberg, professora da Universidade de Brasília, a presença de mais mulheres no Congresso é crucial para ampliar a representatividade política de uma população majoritariamente feminina. “Ainda estamos muito aquém de outros países em termos de representatividade feminina no parlamento”, destaca, apontando que a política brasileira não tem sido um espaço tão ativo para as mulheres.
Transformar presença em influência
Ana Claudia Badra Cotait, presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), enfatiza que a presença de mulheres nas câmaras deve se refletir em participação efetiva nas decisões. “É preciso ocupar espaços de liderança e transformar presença em influência”, afirma.
Temas que podem unir a bancada
Segundo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), o próximo Congresso deverá abordar o orçamento, contas públicas e regras que definirão o ambiente de negócios. A Política Nacional do Cuidado será uma prioridade, com a necessidade de regulamentação nos estados e de garantir orçamento para a sua implementação. Damares também destaca a importância de pautas como enfrentamento à violência contra a mulher, feminicídio, participação feminina no mercado de trabalho e empreendedorismo.
Além das “pautas de mulheres”
Embora a representatividade feminina tenha crescido, Messenberg observa que as parlamentares ainda são frequentemente associadas a temas ligados ao cuidado e à assistência social, refletindo as expectativas do eleitorado. Já Cotait defende que as mulheres devem participar ativamente de discussões econômicas e estruturais, como educação, segurança, emprego, crédito, inovação e desenvolvimento econômico. “São problemas econômicos, não questões de gênero. Uma política que favoreça o crescimento dessas empresas beneficia toda a economia”, conclui.
Conclusão
O aumento significativo da presença feminina nas câmaras legislativas representa um avanço importante para a representatividade política no Brasil. No entanto, o verdadeiro desafio será garantir que essas mulheres tenham voz ativa nas decisões que moldam o futuro do país, transformando números em influência real.
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