Introdução
Na última edição do Congresso ALADYR Brasil 2026, em São Paulo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um estudo que coloca a dessalinização da água do mar como peça-chave na garantia da continuidade da produção industrial e na consolidação da sustentabilidade no setor.
O estudo e seus principais pontos
Intitulada Segurança Hídrica Industrial: O Papel da Dessalinização no Brasil, a publicação analisa o estágio de desenvolvimento da tecnologia, os custos de implantação, os impactos ambientais e as oportunidades de financiamento para ampliar a segurança do abastecimento de água no setor industrial.
A dessalinização remove sais e minerais da água de mar ou salobra, tornando-a adequada para consumo humano e para processos produtivos. A técnica predominante é a Osmose Reversa (OR), que filtra a água sob pressão por membranas semipermeáveis.
Para Roberto de Oliveira Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI, a segurança hídrica tornou‑se um fator estratégico de competitividade. Ele destaca que a água deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar uma variável que define onde se investe, como se produz e se a operação resiste a crises.
O gerente de Recursos Naturais da CNI, Mário Cardoso, enfatiza que a água é insumo essencial em processos como resfriamento, lavagem e geração de vapor. A falta de água pode reduzir a produção ou até paralisar fábricas, com impactos que se estendem por toda a economia.
Cardoso alerta que a escassez hídrica já eleva os custos das empresas, que recorrem a caminhões‑pipa, buscam fontes emergenciais e mantêm estoques para evitar interrupções. Ele também destaca os efeitos da crise hídrica sobre o setor elétrico, pois a dependência da geração hidrelétrica pode comprometer a produção de energia.
Mudanças climáticas ampliam desafios para a segurança hídrica
Durante o painel Mudanças climáticas e segurança hídrica: desafios para a economia latino‑americana, Cardoso apresentou dados que revelam a magnitude dos impactos climáticos. Entre 2014 e 2023, 83% dos municípios do Brasil foram atingidos por eventos climáticos, afetando 177 milhões de pessoas e gerando prejuízos de R$ 421 bilhões.
Um estudo do Ministério do Planejamento e Orçamento, na Estratégia Brasil 2050, estima que a falta de medidas para enfrentar as mudanças climáticas pode custar até R$ 17,1 trilhões ao PIB até 2050, além de eliminar 4,4 milhões de empregos.
Na América Latina, cerca de 150 milhões de pessoas vivem em situação de escassez hídrica, segundo relatório do Banco Mundial.
No Brasil, embora a disponibilidade hídrica agregada seja alta, a distribuição é desigual. A Região Hidrográfica Amazônica concentra 81% da água superficial, enquanto o semiárido nordestino enfrenta escassez recorrente. A demanda industrial atingiu aproximadamente 175 m³/s em 2025.
Tecnologia avança e reduz custos de dessalinização
O estudo destaca ganhos de eficiência da OR nas últimas décadas: o consumo de energia caiu de 20 kWh/m³ para uma faixa de 2,0 a 4,0 kWh/m³ em instalações modernas de grande porte. Apesar dos avanços, a eletricidade ainda representa 40% a 60% dos custos operacionais.
No Brasil, o custo de produção de água para uso industrial varia entre US$ 0,50 e US$ 0,80 por metro cúbico. O investimento médio global em projetos de dessalinização de grande escala é estimado em US$ 900 por metro cúbico diário de capacidade instalada.
A localização da população e dos polos industriais favorece a
