Feira reúne 156 empresas brasileiras em meio a desafios globais
Com a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, 156 companhias do setor de alimentos brasileiras apresentaram seus produtos na SIAL Paris 2026, a maior feira mundial de alimentos. Das expositores, 74 foram afetadas pelas medidas comerciais norte‑americanas, forçando a busca por novos mercados. O evento, que teve início em 17 de outubro e encerrou na quarta‑feira (21), contou com mais de 8 mil expositores de 130 países, 650 startups e 400 mil produtos.
ApexBrasil impulsiona a diversificação das exportações
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que a presença no pavilhão brasileiro foi parte de uma estratégia para reduzir a dependência de um único mercado. “Do total das empresas aqui, 74 foram afetadas pelas tarifas dos EUA. A ApexBrasil tem ajudado esses empreendedores a buscar outros destinos com condições diferenciadas de apoio”, afirmou. Müller também ressaltou que a forte participação do agronegócio na economia brasileira e a projeção de crescimento do país – segundo o FMI, o Brasil pode se tornar a oitava maior economia mundial – favorecem a consolidação como maior exportador de alimentos.
Exportações do agronegócio atingem US$ 169,2 bilhões em 2025
Em 2025, as exportações do agronegócio somaram US$ 169,2 bilhões, um aumento de 3% em relação a 2024, representando 48,5% de todas as exportações brasileiras, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A feira ocorreu logo após o início da aplicação provisória do acordo comercial Mercosul‑UE, em vigor desde 1º de maio de 2026, que ampliou as oportunidades para empresas de todos os portes, incluindo cooperativas da agricultura familiar.
Variedade de produtos e a presença de cooperativas
Os estandes exibiram uma gama que vai de proteínas animais a alimentos ligados à sociobiodiversidade brasileira, como castanhas do Brasil, caju, baru, mel e derivados do Cerrado. A participação de 14 cooperativas da agricultura familiar, por meio do programa “Cooperar para Exportar”, foi um dos destaques da delegação. “Cada contrato firmado com países da UE significa mais renda e segurança alimentar no campo brasileiro”, afirmou Fátima Torres, presidente da Unicafes.
Oportunidades para exportadores em um mercado europeu em expansão
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Augusto Billi, apontou que a feira ocorreu num momento de expansão do acesso dos produtos agropecuários brasileiros ao mercado internacional. Ele destacou a importância da colaboração entre governo e iniciativa privada para superar barreiras comerciais. “Temos conseguido aumentar as exportações graças a esse trabalho conjunto entre ApexBrasil, Ministério da Agricultura, Ministério das Relações Exteriores e a iniciativa privada”, concluiu.
Setores de carnes e proteínas se posicionam diante de restrições europeias
Roberto Perosa, presidente da ABIEC, e Ricardo Santin, presidente da ABPA, enfatizaram a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional e a parceria de mais de 20 anos com a ApexBrasil para superar restrições comerciais na Europa. Eles também destacaram a promoção de marcas como Brazilian Chicken, Brazilian Egg e Brazilian Breeds, que reforçam a qualidade sanitária e a capacidade produtiva do setor.
Prêmios e reconhecimento internacional
Durante a feira, a AMZ Tropical, empresa fundada na Amazônia, conquistou o Beverages Award na categoria Bebidas do SIAL Innovation Awards, sendo a única brasileira entre 28 vencedores. O CEO Leandro Daher celebrou a vitória, ressaltando o apoio da ApexBrasil e a importância de representar a Amazônia no cenário global.
Conclusão
A participação brasileira na SIAL Paris 2026 evidenciou a resiliência e a adaptabilidade das empresas de alimentos diante de desafios tarifários. Enquanto os EUA continuam a impor barreiras, o Brasil está ampliando sua presença na Europa, impulsionado por acordos comerciais, apoio institucional e a diversidade de produtos que refletem a riqueza da biodiversidade brasileira. O sucesso da feira demonstra que, com estratégias de diversificação e parcerias sólidas, o país pode consolidar sua posição como líder mundial em exportação de alimentos.
