Audiências nos EUA: Sindifer-MG Defende Exceção para Ferro-Gusa Brasileiro
O Sindifer-MG, entidade que representa a indústria do ferro no Estado de Minas Gerais, avaliou positivamente as audiências públicas realizadas no dia 7 de julho nos Estados Unidos. O objetivo dessas audiências foi debater a possibilidade de aplicação de novas tarifas de importação sobre o ferro-gusa brasileiro. A medida, proposta pelo governo norte-americano, prevê uma tarifa de 25%, acrescida de uma segunda alíquota de 12,5%, podendo chegar a 37,5%.
De acordo com o presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, a entidade defende que o ferro-gusa brasileiro seja incluído na lista de exceções. Isso porque o produto é fundamental para a cadeia siderúrgica dos Estados Unidos e a taxação pode gerar impactos econômicos significativos tanto para o Brasil quanto para o mercado norte-americano.
Os Estados Unidos são dependentes do ferro gusa importado, uma vez que a capacidade interna de produção da matéria-prima é de apenas 6% da demanda total do país. O Sindifer-MG reforçou que o Brasil é um fornecedor tradicional de ferro-gusa para os Estados Unidos, responsável por cerca de 60% do ferro-gusa importado pelos norte-americanos em 2025.
Além disso, o sindicato destacou que a aplicação das tarifas pode onerar a produção de aço nos EUA, uma vez que o ferro-gusa é matéria-prima essencial para o setor siderúrgico. A entidade também respondeu a questionamentos relacionados às investigações em curso nos Estados Unidos, incluindo temas da Seção 301 e trabalho forçado.
Se as novas tarifas sejam implementadas, o Sindifer-MG estima que cerca de 55% das usinas de ferro-gusa podem paralisar suas atividades, com reflexos diretos sobre empregos, arrecadação, investimentos e competitividade. Em Minas Gerais, maior produtor nacional, o setor gera mais de 60 mil empregos diretos e indiretos.
A decisão sobre a aplicação das novas tarifas deve ser anunciada no dia 15 de julho. Até lá, o Sindifer-MG seguirá atuando em diálogo com autoridades, compradores e representantes do setor nos Estados Unidos para tentar reverter a medida e garantir a competitividade do ferro-gusa brasileiro no mercado internacional.
