Empresas Industriais Buscam Crédito em Fundos Constitucionais de Financiamento
Uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que as empresas industriais buscam crédito em Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) em razão de condições mais vantajosas de financiamento. De acordo com o levantamento, 94% das indústrias que recorreram aos fundos apontaram as condições mais vantajosas como a principal motivação para solicitar os recursos.
A pesquisa destaca que as taxas de juros mais baixas foram o principal fator que levou as empresas a buscar crédito nos FCFs entre 2022 e 2025. Além disso, os industriais apontaram como vantagens dos FCFs os prazos de pagamento e de carência (56%) e o relacionamento prévio com o banco operador (24%).
Uso dos Fundos Constitucionais
Os recursos dos Fundos Constitucionais foram utilizados, sobretudo, para investimentos estruturantes. De acordo com o levantamento, 56% das empresas buscaram recursos para compra de máquinas e equipamentos, 22% pretendiam construir, fazer manutenção, modernizar ou instalar fábricas, plantas industriais ou armazéns e 18% solicitaram crédito para capital de giro.
Para Julia Dias, analista de Políticas e Indústria da CNI, os resultados demonstram que os Fundos Constitucionais estão sendo utilizados conforme o propósito para o qual foram criados. “Isso demonstra que há um alinhamento com o objetivo final da política pública, porque esse crédito mais estruturante vai ser utilizado para a melhoria da produtividade das empresas, para incorporação de novas tecnologias e, de forma geral, um aumento da sua competitividade”, afirma.
Acesso ao Crédito
A pesquisa também revela que 52% das empresas conseguiram contratar, por meio dos FCFs, exatamente o valor de financiamento de que necessitavam. Outras 32% obtiveram crédito, mas em montante inferior ao solicitado, enquanto apenas 4% receberam valor superior ao demandado.
Entre as empresas que obtiveram recursos, 88,6% avaliaram o impacto do financiamento como positivo ou muito positivo para os negócios. Os principais benefícios apontados por elas foram a compra de máquinas e equipamentos (62,2%), expansão física da empresa (37,8%), geração de empregos (29,7%) e recuperação financeira (5,4%).
Limitações do Acesso
A pesquisa destaca que a burocracia, as exigências de garantias pelos bancos e o desconhecimento sobre os Fundos Constitucionais ainda restringem o acesso da indústria aos recursos. Quase quatro em cada dez empresas industriais (38,1%) afirmaram não conhecer os FCFs, indicando que a política pública ainda não alcança plenamente seu público-alvo ou não é suficientemente reconhecida pelos potenciais beneficiários.
Para Julia Dias, é preciso fazer uma ponderação, porque, quando olhamos as taxas de juros da indústria em comparação com as do setor rural, ainda há uma discrepância. As do setor rural são bem menores. Então, ainda existe abertura para melhoria e equalização dessas taxas de juros.
Divulgação
Segundo Julia Dias, a pesquisa também identificou os canais mais eficientes para ampliar a divulgação dos fundos junto ao setor industrial. “Apareceram alguns canais mais tradicionais, como e-mail marketing e newsletter, e também alguns canais mais modernos, como redes sociais, aplicativos de mensagem e o próprio site dos bancos administradores dos fundos”, explica.
Entre as empresas que conheciam os fundos, mas não solicitaram financiamento, 38,5% apontaram a percepção de excesso de burocracia ou da demora na análise dos pedidos como principal motivo para desistir. Já entre aquelas que buscaram crédito, 56% avaliaram como razoáveis as exigências de garantias feitas pelos bancos operadores.
