Percepção que não acompanha os indicadores de saúde
Mais de 2 mil brasileiros foram entrevistados em todo o país e a maioria – 59% – classificou sua própria saúde como boa ou ótima. No entanto, os dados de peso e altura que os participantes relataram mostram um quadro alarmante: 63% da população adulta está acima do peso ideal, sendo 37% com sobrepeso e 26% com obesidade, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, 42% afirmam nunca praticar atividade física.
O peso da obesidade como fator de risco para câncer
O excesso de peso e o sedentarismo são reconhecidos como principais fatores de risco para o desenvolvimento de câncer. Especialistas do A.C.Camargo Cancer Center destacam que o sobrepeso já é associado a mais de dez tipos de câncer, incluindo os de intestino, mama, pâncreas e esôfago.
Percepção muda com a idade, mas otimismo persiste
A pesquisa mostra que, à medida que envelhecem, os brasileiros tendem a piorar a própria avaliação da saúde. Mesmo assim, a maioria continua a se enquadrar nas categorias de ótima, boa ou regular. Curiosamente, entre os fumantes, 63% avaliam a saúde como boa ou ótima, um percentual ligeiramente superior ao de quem nunca fumou (61%).
Descompasso entre percepção e prevenção
Os resultados apontam um forte descompasso entre a percepção de saúde e os hábitos de prevenção. Embora 69% da população acredite que o câncer seja evitável, 65% não sabem como se prevenir. O câncer também é a doença que mais preocupa os brasileiros, citado por 60% dos entrevistados, superando diabetes (14%) e doenças cardíacas (13%).
Metodologia
A pesquisa, conduzida pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, contou com entrevistas presenciais de 2.015 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas nas 27 unidades da federação. A amostra foi controlada por cotas de sexo, idade, condição socioeconômica, região e porte do município, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A coleta de campo ocorreu entre os dias 25 e 30 de junho de 2026.
Esses dados apontam para a necessidade de campanhas de saúde pública mais eficazes, que incentivem a prática regular de exercícios, a manutenção de peso saudável e a educação sobre prevenção do câncer. A conscientização, aliada a políticas de acesso a exames de rastreamento, pode reduzir a lacuna entre a percepção de bem-estar e a realidade de risco que muitos brasileiros enfrentam.
