Introdução
Segundo o mais recente Boletim InfoGripe da Fiocruz, a semana epidemiológica 38, de 20 a 26 de setembro, registrou um crescimento significativo de casos de Síndrome Respiratória Grave (SRAG) em crianças até 4 anos no Rio de Janeiro e em Sergipe. O aumento está ligado principalmente ao metapneumovírus e ao rinovírus, enquanto o SARS‑CoV‑2 mantém tendência de crescimento apenas em alguns estados.
Desenvolvimento
O boletim destaca que, no Brasil, 157.908 casos de SRAG já foram notificados em 2026, dos quais 53,9% apresentaram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Dentre os positivos, 16,4% foram influenza A, 5,5% influenza B, 40,4% vírus sincicial respiratório (VSR), 32,1% rinovírus e 3,8% SARS‑CoV‑2.
O metapneumovírus foi responsável pelo maior número de casos de SRAG nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, especialmente nos estados do Paraná e Santa Catarina (Sul); Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo (Sudeste); e Bahia, Paraíba, Pernambuco e Sergipe (Nordeste). Além disso, cinco estados com níveis de alerta, risco e alto risco – Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina – registraram incremento de SRAG por metapneumovírus, embora sem sinal de crescimento a longo prazo.
Em relação às capitais, Porto Alegre (RS), Rio Branco (AC) e Rio de Janeiro (RJ) apresentaram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento nas últimas seis semanas.
O boletim também aponta que há indícios de avanço de casos graves de Covid‑19 no Acre e em São Paulo, embora os níveis de incidência ainda sejam baixos. Nos últimos quatro períodos epidemiológicos, os casos positivos mais frequentes foram rinovírus (52,4%), VSR (18,1%), influenza B (6,7%), SARS‑CoV‑2 (4%) e influenza A (3,2%).
Conclusão
O cenário epidemiológico reforça a necessidade de vigilância contínua e de reforço das campanhas de vacinação, especialmente contra influenza e VSR, nas populações mais vulneráveis. A atenção redobrada em crianças até 4 anos, que representam a faixa etária mais afetada, deve ser prioridade para os serviços de saúde pública. Acompanhar a evolução dos vírus respiratórios, bem como os padrões de SRAG nas capitais, será fundamental para orientar políticas de prevenção e garantir a capacidade de resposta dos hospitais regionais.
