Em 22 de agosto, a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, conduzida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), trouxe à tona a relevância de diversos bens culturais para o país. Entre os destaques, o Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, tradicionalmente realizado na Páscoa em Guaratinguetá (SP), e a Capela do Cristo Operário, em São Paulo, tiveram seus registros e tombamentos oficialmente aprovados.
Além disso, o Conselho reconheceu o Quilombo Ferreira Diniz – localizado no bairro da Glória, em Rio de Janeiro – como o primeiro quilombo do estado a ser tombado pelo Iphan, por meio da Portaria nº 135/2023. O ato consolida a presença do local no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, destacando-o como espaço de memória, convivência e transmissão de saberes afro-brasileiros.
O Cortejo da Cavalaria reúne duas tradições: o tropeirismo, que marcou a vida rural do Vale do Paraíba, e a devoção afro‑católica. Aproximadamente dois mil cavaleiros participam dessa celebração anualmente, e agora o evento será inscrito no Livro de Registro das Celebrações, garantindo sua preservação para as gerações futuras.
Na esfera industrial, a Capela do Cristo Operário será registrada tanto no Livro do Tombo Histórico quanto no Livro do Tombo das Belas Artes. A edificação, remanescente da antiga Fábrica Unilabor, representa a história social, industrial e o movimento operário paulistano das décadas de 1930 a 1950.
O Conselho também manteve o tombamento do Quilombo Ferreira Diniz e revalidou registros de eventos culturais de Barbalha (CE), como o Fandango Caiçara e a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, reforçando a diversidade de manifestações culturais brasileiras.
Para quem não pôde acompanhar, as deliberações da parte da manhã e da tarde foram disponibilizadas em vídeo: parte da manhã e parte da tarde. A próxima sessão, marcada para quarta-feira (23), continuará a avaliar novos processos de proteção e salvaguarda do patrimônio cultural, com transmissão ao vivo disponível aqui.
Essas decisões demonstram o compromisso do Iphan em reconhecer e preservar não apenas monumentos físicos, mas também manifestações culturais que carregam histórias de resistência, fé e identidade. Ao consolidar esses bens no patrimônio nacional, o instituto fortalece a memória coletiva e assegura que futuros brasileiros possam conhecer e valorizar a riqueza de seu legado histórico.
