Vencedores da 8ª edição
Na oitava edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia, os laureados foram o Prof. Dr. Jorge Kalil, da Faculdade de Medicina da USP, na categoria Ciência, e a Dra. Christiane Abreu de Oliveira Paiva, da Embrapa Milho e Sorgo, na categoria Tecnologia.
Dr. Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (InCor), investigou como o sistema imunológico reconhece e responde a ameaças. Seu trabalho desvenda os mecanismos que permitem ao organismo distinguir o próprio do estranho, um conhecimento crucial para avanços em transplantes, câncer, alergias, doenças autoimunes, infecciosas e vacinas. “Entender esses mecanismos é fundamental para avançarmos em áreas como transplantes, câncer, alergia, doenças autoimunes e infecciosas e desenvolvimento de vacinas”, afirma o professor, que possui mais de 800 publicações na Web of Science e diversas patentes.
Kalil é formado em Medicina pela UFRGS e realizou mestrado e doutorado em Imunologia e Imunogenética na Universidade de Paris, no laboratório do Nobel Jean Dausset. É pesquisador 1A do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina, e já presidiu a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, o Instituto Butantan e o InCor. Sua trajetória combina pesquisa de ponta, formação de novos cientistas e articulação institucional para o avanço da imunologia no país.
Na categoria Tecnologia, a Dra. Christiane Paiva, referência em microbiologia, desenvolveu soluções biológicas que tornam a agricultura mais eficiente e sustentável. Ela liderou a pesquisa que resultou no BiomaPHOS, o primeiro produto biológico brasileiro que disponibiliza fósforo a partir de microrganismos solubilizadores. Esse avanço reduz a dependência de fertilizantes minerais e amplia o uso de biotecnologia na agricultura.
Além do BiomaPHOS, Paiva criou o biofungicida Eficaz Control, comercializado em 2025, que controla patógenos do solo. “Quando uma descoberta sai do laboratório e chega ao campo, ela ganha uma dimensão ainda maior: passa a fazer parte da realidade de quem produz alimentos”, comenta a pesquisadora, que se tornou a primeira mulher a vencer o prêmio.
Os resultados de Kalil e Paiva ilustram duas vertentes complementares da pesquisa: a geração de conhecimento científico e sua aplicação prática na sociedade. O Prêmio CBMM, criado em 2019, reconhece profissionais que impulsionam o avanço científico e tecnológico brasileiro, gerando impactos relevantes para a população. A oitava edição, com o tema “Para quem busca o porquê das coisas”, destacou a importância de entender os fundamentos da ciência para criar soluções que atendam às necessidades reais do país.
Com a premiação, o CBMM reforça o potencial da ciência brasileira para gerar soluções inovadoras, desde a descoberta de novos mecanismos imunológicos até a implementação de biotecnologia agrícola que contribui para a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental.
