Introdução
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) iniciou um estudo que visa identificar caminhos para que o Brasil aumente sua presença na produção de baterias elétricas. A pesquisa, ainda em fase de diagnóstico, avalia a capacidade nacional de extração e processamento de minerais críticos, mapeando setores em que o país já se destaca, onde a inserção ainda está em estágio inicial e onde enfrentam desafios estruturais mais profundos.
Desenvolvimento
O levantamento examina reservas minerais brasileiras e a capacidade de extração, além de analisar cada elo da cadeia produtiva de baterias, desde a matéria-prima até a montagem final. Paralelamente, o estudo avalia políticas públicas e instrumentos existentes que possam estimular o desenvolvimento do setor.
A iniciativa surge de um acordo de cooperação técnica entre a CNI, o Net Zero Industrial Policy Lab da Universidade Johns Hopkins e o Instituto E+ Transição Energética. A parceria prevê a realização de pesquisas e a formulação de propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas ligadas a minerais críticos.
Rodrigo Curi, especialista em Políticas e Indústria da CNI, destaca que o trabalho começou com a análise de dados e diagnóstico dos elos da cadeia de baterias no Brasil. A próxima fase envolve entrevistas com representantes de diversos segmentos do setor, o que, segundo ele, enriquecerá as recomendações de políticas e instrumentos para o desenvolvimento da cadeia, baseando‑se na visão dos próprios participantes.
Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da CNI, ressalta que as recomendações devem levar em conta as capacidades reais da indústria brasileira para extrair minerais críticos e transformá‑los em produtos de maior valor agregado. O objetivo é identificar oportunidades concretas geradas pela transição energética, em alinhamento com o programa Nova Indústria Brasil (NIB).
Silveira acrescenta que o Brasil possui reservas relevantes de minerais críticos e terras raras, essenciais para cadeias produtivas ligadas à digitalização e transformação ecológica, como a de baterias elétricas. Ele alerta para o risco de o país se limitar à exportação de commodities e à importação de produtos acabados, e destaca a necessidade de avançar nas etapas de processamento e transformação para agregar valor e fornecer insumos para outros setores industriais.
Minerais críticos desempenham papéis estratégicos em setores como transição energética, digitalização, defesa e alta tecnologia, sendo usados na fabricação de baterias, veículos elétricos, semicondutores, turbinas eólicas e painéis solares. O desenvolvimento das cadeias produtivas associadas a esses recursos pode gerar efeitos positivos em diferentes segmentos da indústria.
Tim Sahay, co‑diretor do Net Zero Industrial Policy Lab, explica que a colaboração com a CNI busca oferecer uma avaliação atualizada das cadeias globais de valor de minerais críticos e baterias, identificando as possibilidades de inserção do Brasil nesses mercados. Ele destaca que a agenda de políticas para minerais críticos tem se concentrado na segurança do abastecimento, na capacidade de refino e processamento no país, no desenvolvimento de projetos de mineração e na transferência de tecnologia com parceiros internacionais.
Rosana Santos, diretora‑executiva do Instituto E+, enfatiza que o avanço da transição energética aumenta a demanda por minerais críticos e exige uma compreensão detalhada das cadeias produtivas associadas a cada recurso. Ela acredita que a análise permite identificar em quais etapas o país tem melhores condições de agregar valor à produção, fortalecendo sua posição nas negociações internacionais.
A iniciativa também está alinhada à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, instituída pela Lei nº 15.506/2026. A CNI integra o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República, com direito a voto como representante do setor privado.
Conclusão
Com este estudo, a CNI busca orientar políticas industriais e investimentos que permitam ao Brasil aproveitar suas reservas de minerais críticos para criar valor interno e competir em mercados globais de alta tecnologia. A colaboração com parceiros internacionais e o alinhamento com políticas nacionais indicam um esforço coordenado para transformar o país de exportador de matérias-primas em protagonista da cadeia de valor de baterias elétricas, contribuindo para a transição energética e o desenvolvimento sustentável.
VEJA MAIS:
