Introdução
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou, na sua Informe Conjuntural do 3º Trimestre, que a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026 sofreu uma queda de 2% para 1,6%. A revisão reflete, sobretudo, as perspectivas menos favoráveis para a indústria de transformação e para o setor de serviços, que devem sobrepor as contribuições positivas da agropecuária e da indústria extrativa.
Perspectivas setoriais
Segundo o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sergio Telles, os setores com maior potencial de crescimento são menos dependentes da demanda interna e, portanto, menos sensíveis à política monetária e às taxas de juros. “Os setores mais dependentes, como a indústria de transformação, o comércio e os serviços, são mais afetados pelos juros elevados”, explica.
Desaceleração da indústria
O setor industrial deve sentir de forma mais intensa os efeitos da desaceleração econômica. A projeção de crescimento caiu de 2% para 1,3%, a maior revisão negativa entre os setores analisados. A expansão prevista de 9,1% para a indústria extrativa não compensará a queda de 0,7% esperada para a indústria de transformação.
No segmento extrativo, a projeção permanece estável graças aos resultados positivos do setor de petróleo, que compensaram a elevação dos custos de frete marítimo do minério de ferro. Já a indústria de transformação continua pressionada pela fraqueza da demanda interna, pela piora das condições financeiras de empresas e famílias, pela entrada expressiva de produtos importados e pelo aumento dos custos de produção.
A indústria da construção mantém a estimativa de crescimento em 1,5%, sustentada pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida e pelos investimentos em infraestrutura, apesar dos efeitos do crédito caro e do enfraquecimento da demanda.
Agropecuária e serviços
O setor de serviços também mostra sinais de esgotamento de capacidade de crescimento. A estabilidade do volume de atividades desde o fim de 2025 e a desaceleração do comércio varejista, principalmente nos segmentos dependentes de crédito, levaram a revisão da projeção de crescimento do PIB do setor de 1,9% para 1,6%.
Em contrapartida, a agropecuária foi o único setor produtivo a registrar melhora na estimativa de crescimento, impulsionada pela revisão positiva das perspectivas para a segunda safra de milho. A projeção de avanço do PIB agropecuário passou de 1,8% para 2,5%.
Mercado de trabalho sustenta a demanda
O informe prevê que o mercado de trabalho continuará sendo um importante fator de sustentação da demanda interna. Apesar da geração de empregos formais desacelerar, especialmente na indústria e no comércio, a entidade projeta crescimento de 1,2% da população ocupada em 2026. A taxa de desemprego, atualmente em 5,3%, deve recuar para 5% até o fim do ano. A manutenção de um mercado de trabalho aquecido, combinada à menor disponibilidade de trabalhadores, tende a pressionar os salários para cima.
A CNI estima que a massa de rendimentos reais cresça 4,6% em relação a 2025, o que deve contribuir para sustentar o consumo das famílias.
Inflação e taxa de juros
O alívio inflacionário observado entre junho e agosto não deve se prolongar até o fim do ano. A entidade prevê aceleração dos preços nos últimos meses de 2026, influenciada pela alta dos alimentos, dos preços administrados — como energia elétrica e combustíveis — e dos serviços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulará alta de 5,15% em 2026, frente aos 4,26% registrados em 2025.
A persistência da inflação deve limitar o ritmo de
