Introdução
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), deu um salto tecnológico ao iniciar a operação do seu próprio modelo computacional de previsão do tempo. Conhecido como Monan (Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera), o sistema, desenvolvido ao longo de três anos, agora roda no supercomputador Jaci, instalado no centro de dados do Inpe em Cachoeira Paulista (SP).
Supercomputador com 24 vezes mais capacidade
O Jaci substitui o antigo supercomputador Tupã, trazendo 24 vezes mais potência de processamento. Essa capacidade permite que dados atmosféricos – vento, umidade, temperatura e pressão – sejam transformados em cálculos complexos em poucos minutos, possibilitando a geração de previsões diárias com maior rapidez e precisão.
Precisão comparável a centros globais
Segundo o MCTI, a acuidade das previsões brasileiras agora está no mesmo patamar de órgãos de referência dos Estados Unidos e da Europa. O Monan oferece cobertura global, resolução de 10 quilômetros e atualiza suas previsões duas vezes ao dia, produzindo cenários com até 11 dias de antecedência.
Aplicações práticas para o país
Além de aprimorar a previsão do tempo, o novo modelo tem impacto direto em setores críticos. Ele pode antecipar alertas de tempestades, frentes frias e secas severas, permitindo respostas mais rápidas da proteção civil. No agronegócio, o sistema auxilia no planejamento de plantios e colheitas, mitigando prejuízos causados pelas oscilações climáticas tropicais. Também gera estimativas detalhadas do volume de chuvas nas bacias hidrográficas brasileiras.
Visão da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação
A ministra Luciana Santos destacou que a iniciativa garante ao Brasil a soberania sobre seus dados climáticos. Ela ressaltou que o modelo foi pensado para as especificidades tropicais da América do Sul, traduzindo-se em decisões públicas mais rápidas e em apoio ao desenvolvimento econômico.
Próximas etapas
O Inpe já planeja expandir o projeto. Entre as próximas fases, destaca-se a criação de um modelo regional para a América do Sul, com resolução de 5 quilômetros, que permitirá captar variações climáticas em escalas menores. Também estão em desenvolvimento ferramentas de nowcasting, previsões de curtíssimo prazo, válidas por até seis horas.
Conclusão
A introdução do Monan no supercomputador Jaci representa um marco na capacidade de previsão do tempo do Brasil. Com precisão comparável a centros globais, o sistema fortalece a segurança pública, apoia a agricultura e consolida a soberania climática do país, abrindo caminho para avanços futuros na modelagem regional e no nowcasting.
