Em 3 de setembro, Brasília sediou o encontro “MPMEs no Acordo Mercosul‑União Europeia: da Norma à Implementação”, que reuniu autoridades brasileiras e europeias para discutir como o novo acordo comercial pode impulsionar a exportação de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). O Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) organizou o evento, destacando a necessidade de traduzir regras em oportunidades concretas para os pequenos negócios.
Na abertura, Maria Paula Velloso, diretora de Negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), ressaltou que o acordo não é apenas um conjunto de regras, mas uma plataforma de desenvolvimento, inclusão e aproximação entre os blocos. Ela citou o primeiro embarque de uvas brasileiras sob as novas regras de desoneração tarifária, que saiu com tarifa zero, como prova de que as MPMEs podem se tornar protagonistas no mercado europeu.
Pequenos negócios são maioria entre empresas apoiadas
ApexBrasil já apoiou 8.372 MPEs até junho de 2026, representando 55,8% do total de empresas atendidas. No Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), 2.250 negócios – 65% do total – foram micro e pequenas em 2025.
Regras e acesso à informação
O Acordo Provisório de Comércio inclui o Capítulo 14, dedicado às MPEs, que prevê mecanismos para disseminar informações e reduzir barreiras ao comércio entre os blocos. Maria Paula Velloso enfatizou a importância de um trabalho coordenado entre governo, instituições e parceiros para capacitar as empresas e aumentar sua participação internacional.
O chefe da Seção de Comércio da Delegação da União Europeia no Brasil, Maurizio Cellini, alertou que a existência do acordo por si só não garante que as empresas aproveitem as oportunidades. “Um acordo abre o mercado no plano jurídico, mas só gera desenvolvimento quando a empresa identifica a oportunidade, compreende as regras e conclui a venda”, explicou.
Diferentes níveis de preparação
Clarissa Furtado, gerente de Competitividade da ApexBrasil, destacou que as estratégias de apoio devem considerar os diferentes estágios de internacionalização das MPMEs. A agência mantém um Acordo de Cooperação Técnica com o Sebrae Nacional e promove os eventos “Conexões Produtivas”, que apresentam informações sobre o novo marco comercial e ferramentas de exportação.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 1.503 microempresas e MEIs exportaram para a União Europeia em 2025, movimentando US$ 107,5 milhões.
Atenção à realidade das empresas
Paulo Henrique Rodrigues Pereira, ministro do MEMP, reconheceu que o principal desafio é traduzir normas e procedimentos do comércio internacional em realidade para os pequenos empreendedores. “Precisamos fazer a transposição dos aparelhos normativos para a realidade dos pequenos e médios empreendedores”, afirmou.
Cellini concluiu que reduzir a complexidade e os custos de entrada no mercado europeu é essencial para transformar o acordo em uma plataforma de oportunidades distribuídas, aproximando pessoas e empresas de ambos os lados do Atlântico.
Apoio da ApexBrasil
ApexBrasil oferece serviços em quatro frentes: Qualificação Empresarial, Promoção Comercial, Inteligência de Mercado e Expansão Internacional. A preparação para exportar pode começar pelo PEIEX, que orienta sobre exigências técnicas, adequação de produtos e barreiras regulatórias.
Em parceria com o Sebrae, a agência também trabalha na competitividade dos pequenos negócios e participa de fóruns voltados à política de comércio exterior, como o Comitê de Acesso a Mercados do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte e o Comitê Nacional da Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE).
Com o apoio coordenado de órgãos governamentais, instituições de apoio e a clareza das regras do Acordo Mercosul‑União Europeia, as micro e pequenas empresas brasileiras têm agora um caminho mais claro e acessível para conquistar o mercado europeu, ampliando sua competitividade e contribuindo para o desenvolvimento econômico do país.
